sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Apreendendo a Sentir



Os sentimentos sempre foram campo de estudo para a humanidade. Porque as pessoas reagem de forma tão diferente às situações da vida, porque uma situação parece um muro praticamente intransponível para alguns, enquanto para outros parece tão simples solucionar?
Essas são questões, entre outras, que se tornaram fonte de motivação para muito debruçar dos estudiosos, e que nos remetem a outra questão relativa a construção das pessoas enquanto estrutura emocional. Como as pessoas se constituem enquanto seres humanos emocionais, e como essa construção se manifesta nas suas reações, nos seus sentimentos desencadeados pelas situações apresentadas pela vida?
Pois bem, os resultados de vários estudos apontam para o fato de que essa constituição, essa formação se dá por dois fatores principais, são eles: a predisposição genética, ou seja, as tendências genéticas que trazemos conosco, marcadas em nosso DNA, de desenvolvermos certos tipos de padrão de comportamento; e o ambiente que nos recebe, nos cerca e que fará, com as suas contingências, com que desenvolvamos ou não nossos potenciais genéticos de padrão de comportamento, sejam eles geradores de boas possibilidades de adaptação ou o contrário.
Então, temos que o lugar que nos recebe e a maneira como nos recebe é fundamental para o desenvolvimento das nossas reações frente ao mundo.
E o nosso primeiro e mais especial lugar é a família. A família que, na vivência das relações, vai nos definir enquanto pessoas, é onde nós apreenderemos a interpretar o mundo, desde a aprendizagem das adaptações mais básicas para a sobrevivência biológica e social, como higiene, alimentação, locomoção até as mais finas, como os sentimentos.
As crianças apreendem no seio do lar a reagirem a partir da reação dos seus cuidadores, a primeira aprendizagem quanto a como se colocar emocionalmente nas situações da vida acontece ali, dentro de casa, com as crianças percebendo e internalizando a maneira como seus pais reagem, por exemplo, à algo que não foi planejado, à uma opinião discordante da sua, ao não do parceiro, à receber ou dar carinho, às responsabilidades, à autoridade, ao cuidado consigo mesmo, ao amor próprio, dentre todas as questões que envolvem o comportamento.
È preciso entender, que as crianças apreendem na vida com aquilo que os pais fazem na maioria absoluta das vezes, e não com aquilo que os pais falam, até porque se fala uma vez ou outra no cotidiano, mas se age ou reage o tempo todo na vida.
Estamos ensinando aos nossos filhos aquilo que apreendemos com nossos pais e no decorrer de nossa vida com nossas experiências. E não com aquilo que consideramos o mais correto mas não fazemos.
Há que se pensar que filhos estamos criando, que pessoas estamos desenvolvendo para si mesmos e para o mundo. E frente a essa reflexão vamos, de fato nos deparar com aquilo que talvez, depois de uma certa caminhada, seja o mais difícil – NÓS MESMOS!
E, sendo assim, temos aqui uma oportunidade das mais maravilhosas e mais difíceis que a vida, os filhos, podem nos trazer, a oportunidade de nos olharmos novamente, de forma atenta e profunda, se quisermos educarmos e criarmos cidadãos que possam respeitar-se e respeitar o outro, que possam ainda desenvolver suas potencialidades e aproveitar as oportunidades que a vida vai lhes oferecer da melhor forma possível. Que possam se perceber e entender o que é seu espaço e o que é o espaço do outro, para trilharem um caminho na vida que não seja primordialmente pautado pelo medo, pela ansiedade exacerbada, pela paralisação, sentimento de insegurança, dentre outros.
Precisamos nos olhar pra saber que seres humanos estamos criando, pra saber como estamos ensinando nossos filhos a reagir às frustrações da vida, como estamos ensinando nossos filhos à demonstrar amor, carinho, solidariedade, tristeza, raiva, e todos os outros sentimentos à que estamos sujeitos enquanto indivíduos neste mundo.
Portanto, quando estivermos preocupados, chateados, enfurecidos com algum comportamento de nossos filhos pequenos, talvez seja muito pertinente nos pergurtamos onde ele aprendeu isso, com quem, e ainda, olhar para a nossa própria forma de reagir em situações semelhantes às que ele vem vivenciando. E aí quem sabe possamos encontrar algumas respostas e direções bem mais perto do que poderíamos imaginar.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A propósito - o Bebê e sua Mãe



Se trata de uma questão recorrente o fato de as mães ficarem muitas vezes inseguras com seus bebês, principalmente as mães de primeira viagem, o que é bastante compreensível, o bebê quando chega, por mais esperado que tenha sido, é um estranho, e um estranho que necessita de todos os cuidados para sua sobrevivência, um pequeno estranho completamente dependente de sua mãe. A relação mãe-bebê e todo aquele imenso amor do qual todos falam é construído nessa vivência de dependência e de troca que aos poucos vai se dando.
O amor materno não é mágico, não se apresenta imediatamente, ele é o resultado de uma relação intensa.
O mais importante é que a mãe possa estar numa situação de receptividade total, ou seja, estar inteira, de braços abertos para esse bebê. Que possa contar com o apoio de outras pessoas não só no cuidado para com o bebê mas no cuidado, carinho e amor para com ela mesma - a mãe, para que possa nesse momento estar abastecida de sentimentos e desprovida de outras preocupações para dedicar-se, pelo menos nos primeiros meses, a cuidar prioritariamente dessa criaturinha que depende dela completamente, tanto no aspecto físico quanto no aspecto emocional. Uma mãe que recebe seu filho em situação de não receptividade, seja por estados emocionais negativos como a depressão, por exemplo, ou por estados de turbulência externos, pode comprometer o estado de saúde física e mental do bebê por todo seu desenvolvimento.
Claro que temos que levar em consideração que a maioria das vezes a mãe não recebe seu filho em estado emocional precário por vontade própria, muitas questões podem ocorrer para além do seu controle, como por exemplo: a perda de seu ente querido, situações trágicas que ocorrem , entre outras questões.
Porém, é importante que tanto a mãe, quanto aqueles que a rodeiam possam fazer o possível para que o ambiente físico e psíquico seja favorável para a chegada desse bebê.
Comecemos 2010 com nossos trabalhos já há muito esperados!
A princípio, teremos um artigo mensal, e de acordo com os questionamentos e comentários que recebermos poderemos ter mais artigos postados a cada mês, até que estes tenham postagem semanal.
Aguardamos vocês aqui!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Em Construção...