quinta-feira, 10 de junho de 2010



BULLYING II


Neste artigo de hoje, voltamos a falar sobre o Bullying. E isso, por motivos bastante relevantes.
Primeiro, porque o Bullying é de fato um assunto que pede muita atenção em função das conseqüências que gera.
Segundo, porque o Bullying é a materialização do preconceito, dentro do ambiente escolar, e também fora, como é o caso do Cyberbullying (bullying que acontece nos sites de relacionamento, como o Orkut e MSN, no ambiente da internet).
Mas, por enquanto ainda ficaremos restritos ao Bullying que acontece nas dependências da escola. E que me atrevo a dizer - é uma das principais raízes da perpetuação do preconceito de forma geral, em todos os outros lugares e momentos da vida.
Sendo assim, gostaria de estar colocando aqui mais algumas informações a respeito deste “fenômeno”, tão reconhecido, e ainda muito ignorado.
Brigas, ofensas, agressões físicas e psicológicas, disseminação de comentários maldosos, repressão. Todas estas atitudes fazem parte do rol de situações que envolvem o Bullying na escola. Que são tratadas muitas vezes como “coisas de criança”, mas que podem transformar a escola em um verdadeiro inferno para muitas delas.
Então, vou expor alguns comportamentos, sinais que as crianças vítimas podem apresentar, e que tem altas chances de estarem ligados ao bullying na escola.

São eles:
Falta de vontade ir à escola;
Sentir-se mal perto da hora de sair de casa;
Pedido para trocar de escola;
Pedido para ser sempre levado à escola;
Mudar frequentemente o trajeto entre a casa e a escola;
Apresentar baixo rendimento escolar;
Voltar da escola, repetidamente, com roupas e materiais danificados;
Chegar muitas vezes em casa com machucados sem explicação convincente;
Parecer angustiado, ansioso e deprimido;
Ter pesadelos constantemente com pedidos de “socorro” ou “me deixa”;
“Perder” repetidas vezes seus pertences e dinheiro.

Esses são alguns dos sinais que a criança pode apresentar quando está sendo vitimizada pelo bullying na escola. Não são os únicos, e também não representam por si só, que o bullying de fato esteja acontecendo. Porém, mediante a esses comportamentos vale à pena redobrar a atenção, conversar com a escola sobre a suspeita, e se for de fato confirmada, exigir atitudes e um plano efetivo da escola para esta questão. E em alguns casos procurar ajuda de profissionais fora da escola.

Por hora são estas as informações.
Voltarei a falar com vocês sobre este assunto em outros artigos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010


Filhos do Coração

Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família. Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias minhas em bebé aqui no álbum? A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha. — Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel. — Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o Jorge. Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos: — Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés! — Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos corações! Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha, desapareceram. Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um… — Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar na sala. — …um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe. — Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena curiosa — Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família — respondeu o pai emocionado. — Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são para sempre — concluiu a mãe. — Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel. — Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe. A Luena ouvia em silêncio com muita atenção mas, quanto mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos. — Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe? — Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos. Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações: — Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais não têm condições para criar os filhos… — …e, por isso, têm que deixá-los em instituições como aquela no Gana, em África, onde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a mãe. — E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? — perguntou a Luena. A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua: — Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar deles como eles mereciam. Raças era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não hesitou: — O que são raças, papá? — Raças são características diferentes dos meninos que nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China… À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar porque é que a sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela, portanto era uma característica sua. Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais. — Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura. A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família. Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história. Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs. Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de conhecer os seus pais do coração… Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o amor que tem por eles. — Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz. E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade simples que, no coração, todos sentem como uma certeza: — Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti… — É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã como tu — acrescentou o Jorge. — Papá, e o que acontece às outras crianças que ainda não tem uma família? — perguntou o Manuel. — Estão à espera de encontrar corações apaixonados que engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai. — Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas outras, demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo, encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por acontecer! — concluiu a mãe. A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda sempre que algo a preocupava: — Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros? — Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos pode obrigar a amar! — Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de começar numa maternidade. — Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns desses momentos guardámo-los dentro do coração, que é o melhor álbum da nossa vida! O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca, denunciando a chegada da hora de dormir. — Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido. A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível. — Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha. — Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la — …mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma família como a nossa para serem muito felizes. Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a realidade de uma menina traquina de cinco anos. A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial, que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam, de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas casas cheias de amor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010


O SENTIMENTO DE CULPA

De uma forma geral, é possível perceber que as mães por mais cuidadosas que sejam, tem uma certa tendência de sentirem-se culpadas em maior ou menor grau com relação a seus filhos.
Normalmente o sentimento de culpa nas mães poder ser gerado pelo fato de, tendo uma noção preconcebida de como deveria ser a relação com seu filho, ou seu comportamento para com ele, sentem-se de certa forma frustradas e impossibilitadas de atender as estas expectativas por circunstâncias das mais diversas que a vida pode impor, ou ainda por sentimentos novos, situações inesperadas com as quais não esperava ter que lidar.
Vejam, a título de exemplo podemos citar: dá a luz a um menino e queria mesmo uma menina, por algum motivo não começou a amar o bebê logo de pronto como achava que deveria, ocorre uma perda familiar (morte) que a leva a um momento de muita tristeza, e por aí vai. Muitas razões que podem levar a mãe a ter sentimentos “inesperados” com relação a seus filhos e que a fazem sentir-se culpada.
Ë importante atentar para o fato de que há diferentes graus neste sentimento de culpa, e apresentar um pequeno grau poderia até ser benéfico.
Poderíamos dizer e supor que algum sentimento de culpa nas mães teria até um papel funcional na relação, ou seja, faria com que algum cuidado maior fosse dispensado a criança, por exemplo, para que se perceba com maior rapidez quando ele não está passando bem, quando seu comportamento está modificando devido a alguma situação que ela possa estar vivenciando e que não está lhe contando.
O sentimento de culpa não é de todo ruim, serve para algumas boas coisas em alguns momentos. Serve inclusive para ajudar a sentir-se plenamente responsável por aquele ser.
Mães que não sentem nem um pouquinho de sentimento de culpa, podem não duvidar de si mesmas em nenhum momento, o que poderia resultar, por exemplo, em que nem percebessem quando seus filhos pequenos estão doentes. Ou ainda, atribuir a fatores externos constantemente, tudo que aconteça com os filhos, não assumindo responsabilidade por coisa alguma.
Agora, temos que observar se este sentimento não está levando a outros tipos de atitude. Quando a mãe passa a atuar movida por um sentimento de culpa muito grande.
O sentimento de culpa que deve nos levar a cuidados e reflexões é aquele que por vezes pode levar a uma espécie de super proteção que ao invés de “convencer” o filho de que ele é muito amado, pode levá-lo a crer que é incapaz de realizar muitas coisas, principalmente aquelas que a mãe não lhe deixa fazer, e que não representam perigo real. Este comportamento da mãe pode gerar muito mais insegurança do que segurança.
Um exagero de cuidados normalmente leva a crer que existam sentimentos de culpa bastante intensos nessa mãe com relação ao seu filho, ä exceção de casos que tenham a ver com transtornos psíquicos anteriores a chegada da criança.
Acontece muito de as pessoas sentirem-se culpadas com relação ao seu filho e não saber disso, quer dizer, não terem consciência que tomam essa ou aquela atitude para com ele por sentimento de culpa. Tudo que a pessoa pode sentir, por exemplo, é um grande mal estar se não estiver protegendo seu filho ao extremo, da sujeira, das pessoas, das possibilidades de machucar-se de uma forma geral.
Ter uma maior clareza sobre as possibilidades de que isto esteja ocorrendo pode ser um primeiro passo para amenizar o sentimento e ainda procurar ajuda se for necessário.
Outro aspecto fundamental quando pensamos na possibilidade de psicoterapia frente a estas questões, é o de que em se falando em “erros ou acertos” para com os filhos, olhamos para a situação familiar, para os comportamentos e atitudes dos pais e criança, não para se identificar culpados, e sim para entendermos o funcionamento dessa estrutura familiar, entender porque as coisas chegaram até ali e encontrar novos caminhos que possam levar a uma melhor qualidade de vida para todos.
Ainda vale salientar que em toda e qualquer situação da vida, nós somos e fazemos aquilo podemos, no momento em que podemos. E isto não se trata de justificativa, mas de um fato.

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Quando dizer NÃO! Eis a questão...

Não é uma tarefa fácil cuidar de uma criança pequena, orientar seu crescimento. E quando dizer não aos nossos filhos é uma questão sobre a qual muitos de nós, mães e pais se debatem constantemente.
Os limites são necessários, mas como e quando colocá-los?
Sobre essa questão é bom que levemos em consideração o fator idade, desenvolvimento. Ora, uma criança de 1 ano de idade não poderia entender um NÃO assim como uma de 3 anos, por exemplo. Precisamos ficar atentos ao período de desenvolvimento em que nosso filho se encontra.
As crianças não nascem sabendo o que podem e o que não podem fazer, com certeza. Mas muitas vezes alguns pais lidam com elas como se soubessem disso desde sempre, sem que tenham sido ensinadas.
Vamos pensar esta questão, tendo em vista as crianças pequenas e seu primeiro contato com as interdições.
Então, podemos dizer que teríamos três etapas a nos concentrar na introdução dos “NÃOS” na vida dos bebês.
Primeiro, temos uma fase em que os pais assumem toda a responsabilidade sobre as interdições, ou seja, o bebê pequeno não tem instrumentos, nem possibilidades de entender o que pode lhe causar algum mal ou não. E no seu desenvolvimento rápido vem o intento de descobrir o mundo, pela boca, pelas mãos... é como se o mundo inteiro fosse uma grande novidade a ser descoberta, e ele bebê, o explorador. Não há NÃO nesta primeira etapa, só a interdição física.
Assim, nesse momento é importante que a criança tenha a possibilidade de explorar, conhecer o mundo e o que tem a sua volta, ela precisa se desenvolver, e ter também um adulto atento que possa livrá-la dos perigos iminentes. Não adiantará de nada ter uma briga homérica com uma criança de 1 ano porque ela derramou todo o saco de arroz que estava na sacola, no chão.
Você é que deveria ter tirado este saco dali, certo!? Você tem instrumentos para isso, ela não.
Ele precisa explorar o mundo, dê-lhe situações ou objetos que lhe propiciem isto. E a princípio, você não limita um bebê para que ele lide com o que é certo ou errado do ponto de vista moral, mas simplesmente porque tem algumas atitudes que ele precisa ir aos poucos entendendo que são perigosas. Para bebês pequenos os “NÃOS” maternos devem se basear na idéia de perigos concretos.
Aos poucos, você percebe na criança uma crescente capacidade de compreender as coisas. Então temos a segunda etapa, onde você já pode se impor e mostrar a criança sua visão de mundo, ela já começa a ter capacidade de absorver algumas coisas. Aí sim, começa a aparecer literalmente o NÃO como palavra, linguagem entendida. Você pode dizer “NÃOS” seguros a ela, e ela tem capacidade de entender que aquilo É uma interdição, e que ali ela precisa parar por algum motivo, ainda que não tenha um entendimento real sobre os motivos.
Segue-se, a terceira etapa que é aquela que se apresenta como a fase da explicação. Podemos, aqui partir para a conversação, os pais aqui podem explicar a criança o motivo das interdições, é ela já começa a desenvolver a capacidade de entendê-las.
Assim vai se dando o desenvolvimento desses primeiros momentos do entendimento da interdição.
Entretanto, não podemos nunca esquecer do fato de que as crianças são muito diferentes umas das outras, as fases ocorrem nessa seqüência, mas é preciso que a mãe possa observar o desenvolvimento de SEU filho, e assim estar pronta para a adaptação às necessidades de sua criança.
Muitas vezes ocorre que mães que não se encontram em momentos tranqüilos e felizes de suas vidas possam, em função do seu momento, estar propensas a exagerar o lado carinhoso do trato, sendo permissivas demais, ou ainda dizer NÃO apenas porque estão irritadas.
É muito importante que na imposição de limites, a mãe os tenha bem claros para si mesma, tanto os limites, quanto os motivos pelos quais os está impondo.
Se os próprios pais estiverem muito confusos quanto ao que permitiriam ou não, como a criança poderá ter clareza sobre isso?

quinta-feira, 8 de abril de 2010


DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A PSICOLOGIA E AS NEUROCIÊNCIAS

Nos interessa falar e pensar o desenvolvimento infantil. Nos dias de hoje, interessa muito mais aos pais que em tempos passados.
Muito se fala sobre a importância dos 6 ou 7 primeiros anos de vida, quanto a estruturação da personalidade e do pensamento. E no que temos de estudos e avanços nesta área até os dias atuais, esta afirmação de fato se confirma.
Os primeiros 6 ou 7 anos de vida são muito importantes mesmo na estruturação psíquica. Isto não significa que o que acontecer até esta etapa do desenvolvimento está fadado a permanecer da mesma maneira para o resto da vida, claro que não, podemos mudar e evoluir sempre, se houver desejo.
Mas significar dizer e pensar que o que é vivido neste período marca profundamente a estruturação psíquica do ser humano, e define nossos posicionamentos frente ao mundo, ao menos no que diz respeito, a uma certa tendência de comportamento.
Isso se aplica não somente pelos estudos na área da psicologia e da psicanálise, mas é confirmado pelos últimos achados na área das neurociências, que nos dizem que aquelas tendências genéticas de comportamento serão ou não realizadas de acordo com as experiências que vivenciarmos no ambiente em que estamos inseridos, e ainda, para complementar, que somos agraciados pela possibilidade da neuroplasticidade, que se define por ser uma forma de rearranjo nas sinapses cerebrais (corrente elétrica cerebral) que poderia nos trazer mudanças de comportamento tanto no aspecto físico, quanto psíquico e cognitivo, com as tentativas e repetições em prol de uma nova realidade.
Bem, isso significa dizer que as ciências que tratam da subjetividade – as psi, e aquelas que tratam da dimensão objetiva, diga-se física, enfim chegam a um ponto de encontro. Aquilo que era afirmado pelas psicologias e psicanálise a mais de um século – que a personalidade e os comportamentos eram definidos nestas primeiras fases de vida do indivíduo, acaba por ser corroborado pelas neurociências hoje. Ora se uma pessoa nasce com o cérebro em parte acabado, mas seu maior crescimento e desenvolvimento se dá até 7 anos de idade (90%), o que se completaria até por volta dos 12 anos, podemos concluir que as experiências vividas pela criança neste período além de marcá-la emocionalmente, marcam seu cérebro, de forma a produzirem certos tipos de respostas (sinapses cerebrais) para ações do mundo com relação a ela.
Isso equivale a dizer que de fato ela se estrutura nessa faixa etária.
Então temos que, as mudanças de comportamento são bastante complexas, pois envolvem uma forma de SER marcada nos tecidos, no corpo... e no coração. Por assim dizer.
E sendo assim, considero importante que nós – pais e ainda profissionais que trabalham com crianças, possamos ter acesso a estes conhecimentos para entender um pouco mais como se dá a formação dos comportamentos de nossas crianças, e para que possamos também ter a paciência necessária, e o empenho fundamental na formação e nas mudanças que consideramos poder trazer mais aproveitamento e felicidade para vida dos nossos filhos.
Se tiverem dúvidas a respeito deste artigo, ou ainda acharem pertinente que este assunto seja desenvolvido de forma mais extensa em outros artigos, entrem em contato.

quinta-feira, 25 de março de 2010



BULLYING, O QUE É ISSO?


O Bullying, é uma prática conhecida de todos nós ä muito tempo. Se não fomos vítimas de Bullying na escola, certamente presenciamos algum destes atos.
Tanto nos é familiar, de alguma forma, que todos sabemos da sua existência. O fato de existir essa ‘familiaridade’ em relação ao comportamento de Bullying, faz com que, muitas vezes, este assunto não seja tratado com a devida atenção. Na verdade, até os últimos tempos tem sido tratado, na grande maioria dos casos, com omissão.
O Bullying se refere a todo tipo de comportamento agressivo, verbal ou físico, intencional e repetido, que acontece, geralmente, na escola, sem motivação evidente, adotados por um ou mais estudantes, contra outros, causando muito sofrimento, dor, ansiedade e angústia tanto nas vítimas, quanto nos espectadores.
Dentre as ações que caracterizam o Bullying, estão os apelidos, a discriminação, a exclusão, a perseguição, o isolamento, o assédio, a tirania, a dominação, a agressão física, o ataque aos pertences, entre outros. Ações que humilham, atacam e ofendem a criança vitimizada
Quem já foi vítima de Bullying, ou teve um amigo ou parente próximo vivendo esta realidade, sabe bem o estrago que esta prática pode causar na vida de uma pessoa, dependendo de como ela recebe essas ações.
Não é porque muitas vezes as pessoas tratam o Bullying como algo que acontece na escola, que é normal entre as crianças, que esse assunto possa ser desprezado, muito pelo contrário. É chegada a hora de nos colocarmos em posição contrária a essa prática a tanto tempo difundida, e que infelizmente já não tenha sido barrada ä muito dentro das escolas. Teria com certeza, evitado muito sofrimento.
O Bullying é um problema mundial, não está restrito a nenhum tipo de instituição, seja ela pública ou privada, rural ou urbana. Normalmente as escolas que não admitem a existência do Bullying entre seus alunos, ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo.
É importante que as escolas, pais e alunos, possam enfim encarar este problema de frente, as conseqüências do Bullying, quando não há intervenções efetivas, podem ser desastrosas. O ambiente escolar torna-se totalmente contaminado. Todas as crianças são afetadas de forma negativa, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Além do que, alguns alunos, que testemunham o Bullying, quando percebem que o comportamento agressivo não traz nenhuma conseqüência, podem adotá-lo também.
Dentre as conseqüências da prática do Bullying está o fato de que crianças que são alvos, dependendo de suas características individuais e de suas relações com o meio, poderão não superar os traumas sofridos na escola. Poderão crescer com sentimentos negativos, de baixa auto-estima, tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento, ou ainda assumir e multiplicar o comportamento agressivo.
Para aqueles que são os autores da prática, também existem conseqüências, estes podem levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no ambiente familiar ou do trabalho e trazendo muitos prejuízos para sua vida futura.
E as testemunhas, por sua vez, são afetadas de forma que sentem-se inseguras e temerosas de que sejam as próximas vítimas.
Portanto, é necessário que os envolvidos se mobilizem em busca de programas que possam ser implementados nas escolas com o intuito de diagnosticar, identificar e reduzir o comportamento agressivo entre os estudantes. Podendo assim melhorar o ambiente da escola e a qualidade de vida de todos.
Quem não ganharia com isto?

quarta-feira, 10 de março de 2010

DEPRESSÃO PÓS-PARTO


O seu bebê nasceu ou está para nascer, um momento de grande alegria se espera, a gestação foi sonhada, aceita, o nome escolhido de acordo com as melhores intenções e significados, o enxoval em cores suaves, sonha-se com o rostinho fofo, os movimentos lentos, o sorriso que aos poucos vai se revelar... eles são mesmo lindos - os bebês. E toda esperança de uma nova vida, traz alegria a família.Chega o momento considerado dos mais sublimes para a mulher.
Eis que, muitas vezes a expectativa com relação a este momento é frustrada pelos dados que a vida objetiva traz para a mãe.
É lindo ter um bebê, realmente incrível que possamos dar a luz a uma nova vida. Contudo, a maternidade, vem carregada de responsabilidades e mudanças na vida da mulher, implica mudanças em vários aspectos, no trabalho, na vida pessoal , emocional e social. Essas mudanças podem acarretar mais sofrimento do que a futura mãe possa supor. Existe uma tendência a se fantasiar a realidade, idealizar o momento, e esquecer os desafios que a condição de mãe impõe.
Em função disso, é muito importante, que as futuras mães, possam ter a maior proximidade possível com os dados de realidade que a função materna trará para sua vida, para que se possam diminuir as possibilidades do desenvolvimento de um quadro de depressão pós-parto que pode afetar consideravelmente a relação mãe-bebê e por conseqüência a formação da estrutura psíquica desta criança no decorrer de seu desenvolvimento.
Nesta direção, temos uma corrente de estudos que defende a realização do pré-natal psicológico, que vem de encontro a necessidade de preparação emocional e sócio-ambiental para a chegada do novo bebê. Segundo estes estudos, o pré-natal psicológico tem se mostrado tão importante quanto o acompanhamento físico da gestante e da criança. Podendo, com eficácia, prevenir situações futuras que favoreçam a depressão pós-parto, além de trabalhar questões com a mãe que podem melhorar suas condições e qualidade de vida e assim, também as condições de desenvolvimento de seu bebê.
Logo após o parto, em média 60% das mães sofrem do que chamamos “baby blues”, que se caracteriza por ser um estado de variações emocionais, psicológicas, hormonais e físicas.
Isso equivale a dizer que, a mãe poderá sentir-se no pós-parto, muito sensível, confusa, instável, com incapacidade para cuidar de seu bebê, com medo, culpa, tristeza, falta de motivação, indisposição. Porém, esses sentimentos são considerados normais, desde que não perdurem por muito tempo, e têm sido relacionados às rápidas alterações hormonais, ao estresse do nascimento e ao grande aumento da responsabilidade que o nascimento de uma criança provoca.
No entanto, se esses sentimentos persistirem por um período de tempo considerável, mais de 4 semanas, por exemplo, após o parto, é importante que se fique atento para a possibilidade de estar se estabelecendo um quadro depressivo, que tem ocorrência de 10% a 20% dentre as mães em período puerperal.
Os fatores apontados como possíveis causas de deflagração da depressão pós-parto, são: os biológicos, já citados – variações hormonais e alterações no metabolismo que podem, ainda, acentuar consideravelmente problemas emocionais e/ou pessoais já existentes, os ambientais – mudanças expressivas no cotidiano, e os psicológicos – sentimentos conflituosos da mulher em relação a si mesma, ao bebê, ao companheiro, transtornos psíquicos pré-existentes, entre outros.
Em um quadro que aponte para depressão, a necessidade de diagnóstico é preemente.
É importante que a mãe procure acompanhamento psicoterápico, converse com pessoas próximas e os profissionais que a atendem – obstetra, pediatra, sobre os sentimentos que vem tendo, que não se envergonhe deles. Admitir que esses sentimentos existem, é o primeiro passo. E um profissional habilitado poderá orientá-la na busca do diagnóstico e tratamento adequados.
A vivência de sentimentos tão diferentes daqueles que se havia idealizado pode tornar esse momento muito penoso, e provoca nas mães um sentimento de inadequação, que pede ajuda.
Numa parcela grande dos casos de depressão pós-parto a mulher se isola, tem vergonha dos sentimentos, não tem coragem de assumi-los e falar o que está acontecendo com ela. Assim, sofre sozinha, aliás, com seu bebê, calada. Um sofrimento que muitas vezes não cessa sem tratamento, pelo contrário, se agrava. A depressão pós-parto pode durar meses ou até mesmo anos se não tratada.
A depressão pós-parto não é rejeição ao bebê prioritariamente, mas muito mais um sentimento de medo com relação as mudanças e ao desafio que se tem pela frente.
Portanto, o esclarecimento, a franqueza consigo mesma, a consciência dos nossos limites e a procura pela ajuda daqueles que nos amam e daqueles que podem nos auxiliar profissionalmente é a melhor, e mais eficiente saída neste momento.