quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CRIANÇA CIDADÃ – PRIORIDADE ABSOLUTA.

MAS... COMO ENSINAR SEU FILHO A SER UMA CRIANÇA CIDADÃ?


Sabem, costumo pensar e conversar bastante com as pessoas sobre cidadania, sobre a importância de uma postura cidadã.
De que o que realmente precisamos no trânsito, por exemplo, para modificar a realidade caótica de guerra que temos no Brasil, é de cidadãos, além, e na minha opinião muito mais, que estradas e belos projetos.
Mas é claro, precisar de cidadãos no trânsito, significa que precisamos de muito mais pessoas que assumam postura de cidadãos no mundo, na vida de uma forma geral. Porque ser cidadão não é uma roupa que colocamos e tiramos em determinadas situações. É estar de fato, comprometido com seus direitos e deveres, ser consciente e de verdade acreditar, que assumir esse comportamento muda a sua vida e de outras pessoas.
Que ser cidadão é amar e respeitar sua própria vida, porque só assim é possível respeitar a vida de outrem.
Quem pode respeitar a vida do outro, cuidar para não lesar as outras pessoas, se não respeita a sua própria vida? Se não tem cuidado com ela?
Ter uma postura cidadã, para além de lhe garantir uma vida mais digna, traz a possibilidade de alargar horizontes, e o que é de suma importância – fazer um mundo melhor!!
Como?? Fazer um mundo melhor?
Sim!! Fazer o seu mundo melhor, e assim melhorar o mundo dos seus filhos, porque eles vão copiar seus comportamentos, vão aprender a se comportar a partir do que vêem em você!
Filhos não aprendem com o que os pais falam, filhos aprendem com o que os pais fazem!
Quer filhos cidadãos? Seja, antes de tudo.
Lhes ensine honestidade, não passando ninguém para trás, não mostrando que o bom mesmo é tirar vantagem das pessoas, que isso é que é ser esperto!
Lhes ensine respeito, respeitando o seu jeito de ser, ouvindo o que ele tem pra falar, percebendo que seu filho é uma pessoa diferente de você, e que merece ter seu ponto de vista ouvido!
Seu filho não será gentil seu você não for gentil, se a gentileza não for um valor dentro da sua casa.
Não adianta dizer para o filho que é feio mentir, se você mente pra ele, e ainda o induz a contar uma mentirinha boba.
Não adianta xingar as pessoas no trânsito e depois exigir que seu filho não xingue o amiguinho.
Se quiser uma criança socialmente boa, que respeita os outros, terá que assumir este compromisso na sua vida primeiro.

E esses são somente exemplos.
Faça uma reflexão, pense na importância que ter uma postura cidadã com a vida, pode tornar o mundo de seu filho muito melhor.
Pense na bela oportunidade que os filhos nos dão – por amor, à nós mesmos e á eles... podemos tornar a NOSSA vida muito melhor.
Talvez essa seja a forma mais efetiva de mudar o mundo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CRIANÇAS E VÍDEO GAME – O QUE DIZER SOBRE ESTA COMBINAÇÃO?


Bem, queridos, é fato de acordo comum que as tecnologias hoje, ganham em disparada a atenção das crianças, em relação as brincadeiras e diversões de rua. Isto não podemos negar de forma alguma. Também não podemos negar que os jogos de vídeo game, são em um certo ponto, benéficos para o desenvolvimento cognitivo de nossas crianças. Principalmente, se considerarmos o desenvolvimento de funções importantes do cérebro para a vida tanto intelectual quanto prática, como o raciocínio lógico, a estratégia, a tomada decisão, a atenção, a memória, por exemplo.
A questão principal, em meu ponto de vista, não é jogar ou não vídeo game, mas qual é a relação das crianças com este instrumento, e como os pais administram esta relação.
Vejam só, se o vídeo game pode ser benéfico para o desenvolvimento cognitivo e as crianças adoram, porque não utilizá-lo de forma saudável?
E a forma saudável, seria a de ficar atento a que jogos as crianças estão jogando, (por exemplo, alguns jogos, principalmente os de luta ou guerras, podem aumentar significativamente a ansiedade nas crianças, e também alimentar sentimentos de agressividade), e estabelecer regras claras quanto à utilização do video game. Regras que se adeqüem a vida familiar. Por exemplo, podem se estabelecer um horário diário, ou de final de semana para que as crianças possam jogar. Porque o que é prejudicial é que as crianças fiquem o tempo todo que tem livre, jogando vídeo game, e deixem de se relacionar e brincar verdadeiramente com os amigos, e realizar outras atividades que são importantes, como as tarefas e trabalhos de escola. Ou ainda realizá-las de forma deficiente por querer terminar para jogar.
Portanto, o importante é que possamos utilizar da melhor forma possível este que pode ser um aliado na educação e desenvolvimento das crianças.
Então, para recaptular, as dicas mais importantes são:
• Ficar atento aos tipos de jogos que os filhos podem estar utilizando;
• Administrar os dias e tempo de jogo para não atrapalhar as tarefas escolares;
• Não descuidar do quanto os jogos eletrônicos podem estar privando seu filho de outras vivências e relacionamentos importantes.
Seguindo estas instruções quem sabe você possa ficar mais tranqüilo com relação a este assunto e até se divertir com seu filho, fazendo deste um momento que pode ser muito prazeiroso e importante para o relacionamento familiar!!
QUANDO LEVAR MEU FILHO À UM PSICÓLOGO?


Hoje, gostaria de falar com vocês, sobre esta, que é uma dúvida freqüente:
Em que momento devo começar a pensar na possibilidade de levar meu filho para uma avaliação psicológica, e quem sabe um tratamento?
Pensando em elucidar a esta questão, aqui vão algumas perguntas as quais devemos encontrar nossas próprias respostas, mediante reflexão.

A primeira e mais importante delas é: o meu filho está tendo algum comportamento que esteja prejudicando sua qualidade de vida ou interferindo no seu cotidiano? Ou seja, algum comportamento que ele tenha, está prejudicando significativamente seu relacionamento em casa, com os amigos; seu desempenho na escola ou ainda sua saúde de forma geral?
Se a resposta para esta pergunta for sim.
Temos algumas outras questões sobre as quais seria importante pensar:

- Há quanto tempo persiste o comportamento ?
- Foram feitas tentativas de ajudar a criança a superar esta situação ?
- A criança respondeu bem, mas depois voltou ao comportamento, ou a tentativa não teve sucesso?
- Existe apenas um problema, ou o problema visível (apresentado) faz parte de um número maior de problemas, alguns dos quais talvez não sejam imediatamente óbvios ?
- Talvez não seja um problema com ele, de fato, mas não estou conseguindo lidar com esta situação, neste momento?

Diante destas perguntas, e a reflexão sincera com relação as respostas, temos um bom ponto de partida, e podemos chegar a uma conclusão sobre a importância do olhar de um profissional especializado neste momento.

A seguir, colocarei algumas situações que podem nos indicar a necessidade de uma avaliação:
As crianças em geral mostram sua angústia direta e claramente através de seu comportamento (por ex. sentir medo frequentemente, fobia, ficar zangada, bater, chorar, ficar agitada e/ou apresentar falta de atenção constante, comportamentos ritualísticos – ex: lavar as mãos muitas vezes,... queixar-se de dores de cabeça, estômago, falta de ar sem motivos aparentes ou orgânicos previamente avaliados por um médico, compulsão ou ainda apresentar outros comportamentos marcantes e inadequados). Às vezes, no entanto, elas se comunicam de maneiras mais sutis. Por exemplo, as crianças podem ficar muito quietas ou retraídas (um comportamento aparentemente não problemático), podem ficar relutantes em brincar com outras crianças ou mostrar menos imaginação quando estão brincando.
Esses são alguns sintomas ou sinais que podem indicar que seu filho precisa de ajuda.
Num primeiro momento o profissional que o atender fará entrevistas com a família, após o que se iniciará o período de avaliação da crianças, que deverá ter duração de algumas sessões.
Então, o psicoterapeuta lhe dirá qual é a sua opinião. Se ele julgar que existe um problema, pode recomendar que seu filho entre em tratamento.
O tratamento psicoterápico é bastante variável quanto aos procedimentos à serem utilizados e a sua duração. Estes aspectos dependerão do tipo de questões que seu filho apresenta, bem como da aderência não só da criança, mas também da família ao tratamento. E este é um ponto muito importante a ser abordado: quando uma criança entra em processo de psicoterapia, o acompanhamento, a participação e a aderência da família são fundamentais para que se obtenha o melhor resultado. E o melhor resultado, por assim dizer, sempre será O BEM ESTAR DO SEU FILHO E DA SUA FAMÍLIA.

Prolongar fatores estressantes e comportamentos inadequados do ponto de vista do bem estar podem causar sérios prejuízos à vida futura de seu filho.
A prevenção e o tratamento psicoterápico na infância e na adolescência oferecem maior possibilidade ao seu filho de não cristalizar comportamentos que poderão ser nocivos à sua vida, de modo a embotar consideravelmente a possibilidade de aproveitamento das oportunidades que a vida pode lhe oferecer tanto do ponto de vista dos relacionamentos quanto da vida profissional e todos os demais aspectos que a envolvem.

Assim, percebendo a necessidade, procure serviço especializado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010



BULLYING II


Neste artigo de hoje, voltamos a falar sobre o Bullying. E isso, por motivos bastante relevantes.
Primeiro, porque o Bullying é de fato um assunto que pede muita atenção em função das conseqüências que gera.
Segundo, porque o Bullying é a materialização do preconceito, dentro do ambiente escolar, e também fora, como é o caso do Cyberbullying (bullying que acontece nos sites de relacionamento, como o Orkut e MSN, no ambiente da internet).
Mas, por enquanto ainda ficaremos restritos ao Bullying que acontece nas dependências da escola. E que me atrevo a dizer - é uma das principais raízes da perpetuação do preconceito de forma geral, em todos os outros lugares e momentos da vida.
Sendo assim, gostaria de estar colocando aqui mais algumas informações a respeito deste “fenômeno”, tão reconhecido, e ainda muito ignorado.
Brigas, ofensas, agressões físicas e psicológicas, disseminação de comentários maldosos, repressão. Todas estas atitudes fazem parte do rol de situações que envolvem o Bullying na escola. Que são tratadas muitas vezes como “coisas de criança”, mas que podem transformar a escola em um verdadeiro inferno para muitas delas.
Então, vou expor alguns comportamentos, sinais que as crianças vítimas podem apresentar, e que tem altas chances de estarem ligados ao bullying na escola.

São eles:
Falta de vontade ir à escola;
Sentir-se mal perto da hora de sair de casa;
Pedido para trocar de escola;
Pedido para ser sempre levado à escola;
Mudar frequentemente o trajeto entre a casa e a escola;
Apresentar baixo rendimento escolar;
Voltar da escola, repetidamente, com roupas e materiais danificados;
Chegar muitas vezes em casa com machucados sem explicação convincente;
Parecer angustiado, ansioso e deprimido;
Ter pesadelos constantemente com pedidos de “socorro” ou “me deixa”;
“Perder” repetidas vezes seus pertences e dinheiro.

Esses são alguns dos sinais que a criança pode apresentar quando está sendo vitimizada pelo bullying na escola. Não são os únicos, e também não representam por si só, que o bullying de fato esteja acontecendo. Porém, mediante a esses comportamentos vale à pena redobrar a atenção, conversar com a escola sobre a suspeita, e se for de fato confirmada, exigir atitudes e um plano efetivo da escola para esta questão. E em alguns casos procurar ajuda de profissionais fora da escola.

Por hora são estas as informações.
Voltarei a falar com vocês sobre este assunto em outros artigos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010


Filhos do Coração

Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família. Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias minhas em bebé aqui no álbum? A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha. — Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel. — Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o Jorge. Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos: — Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés! — Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos corações! Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha, desapareceram. Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um… — Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar na sala. — …um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe. — Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena curiosa — Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família — respondeu o pai emocionado. — Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são para sempre — concluiu a mãe. — Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel. — Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe. A Luena ouvia em silêncio com muita atenção mas, quanto mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos. — Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe? — Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos. Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações: — Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais não têm condições para criar os filhos… — …e, por isso, têm que deixá-los em instituições como aquela no Gana, em África, onde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a mãe. — E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? — perguntou a Luena. A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua: — Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar deles como eles mereciam. Raças era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não hesitou: — O que são raças, papá? — Raças são características diferentes dos meninos que nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China… À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar porque é que a sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela, portanto era uma característica sua. Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais. — Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura. A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família. Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história. Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs. Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de conhecer os seus pais do coração… Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o amor que tem por eles. — Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz. E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade simples que, no coração, todos sentem como uma certeza: — Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti… — É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã como tu — acrescentou o Jorge. — Papá, e o que acontece às outras crianças que ainda não tem uma família? — perguntou o Manuel. — Estão à espera de encontrar corações apaixonados que engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai. — Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas outras, demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo, encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por acontecer! — concluiu a mãe. A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda sempre que algo a preocupava: — Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros? — Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos pode obrigar a amar! — Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de começar numa maternidade. — Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns desses momentos guardámo-los dentro do coração, que é o melhor álbum da nossa vida! O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca, denunciando a chegada da hora de dormir. — Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido. A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível. — Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha. — Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la — …mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma família como a nossa para serem muito felizes. Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a realidade de uma menina traquina de cinco anos. A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial, que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam, de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas casas cheias de amor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010


O SENTIMENTO DE CULPA

De uma forma geral, é possível perceber que as mães por mais cuidadosas que sejam, tem uma certa tendência de sentirem-se culpadas em maior ou menor grau com relação a seus filhos.
Normalmente o sentimento de culpa nas mães poder ser gerado pelo fato de, tendo uma noção preconcebida de como deveria ser a relação com seu filho, ou seu comportamento para com ele, sentem-se de certa forma frustradas e impossibilitadas de atender as estas expectativas por circunstâncias das mais diversas que a vida pode impor, ou ainda por sentimentos novos, situações inesperadas com as quais não esperava ter que lidar.
Vejam, a título de exemplo podemos citar: dá a luz a um menino e queria mesmo uma menina, por algum motivo não começou a amar o bebê logo de pronto como achava que deveria, ocorre uma perda familiar (morte) que a leva a um momento de muita tristeza, e por aí vai. Muitas razões que podem levar a mãe a ter sentimentos “inesperados” com relação a seus filhos e que a fazem sentir-se culpada.
Ë importante atentar para o fato de que há diferentes graus neste sentimento de culpa, e apresentar um pequeno grau poderia até ser benéfico.
Poderíamos dizer e supor que algum sentimento de culpa nas mães teria até um papel funcional na relação, ou seja, faria com que algum cuidado maior fosse dispensado a criança, por exemplo, para que se perceba com maior rapidez quando ele não está passando bem, quando seu comportamento está modificando devido a alguma situação que ela possa estar vivenciando e que não está lhe contando.
O sentimento de culpa não é de todo ruim, serve para algumas boas coisas em alguns momentos. Serve inclusive para ajudar a sentir-se plenamente responsável por aquele ser.
Mães que não sentem nem um pouquinho de sentimento de culpa, podem não duvidar de si mesmas em nenhum momento, o que poderia resultar, por exemplo, em que nem percebessem quando seus filhos pequenos estão doentes. Ou ainda, atribuir a fatores externos constantemente, tudo que aconteça com os filhos, não assumindo responsabilidade por coisa alguma.
Agora, temos que observar se este sentimento não está levando a outros tipos de atitude. Quando a mãe passa a atuar movida por um sentimento de culpa muito grande.
O sentimento de culpa que deve nos levar a cuidados e reflexões é aquele que por vezes pode levar a uma espécie de super proteção que ao invés de “convencer” o filho de que ele é muito amado, pode levá-lo a crer que é incapaz de realizar muitas coisas, principalmente aquelas que a mãe não lhe deixa fazer, e que não representam perigo real. Este comportamento da mãe pode gerar muito mais insegurança do que segurança.
Um exagero de cuidados normalmente leva a crer que existam sentimentos de culpa bastante intensos nessa mãe com relação ao seu filho, ä exceção de casos que tenham a ver com transtornos psíquicos anteriores a chegada da criança.
Acontece muito de as pessoas sentirem-se culpadas com relação ao seu filho e não saber disso, quer dizer, não terem consciência que tomam essa ou aquela atitude para com ele por sentimento de culpa. Tudo que a pessoa pode sentir, por exemplo, é um grande mal estar se não estiver protegendo seu filho ao extremo, da sujeira, das pessoas, das possibilidades de machucar-se de uma forma geral.
Ter uma maior clareza sobre as possibilidades de que isto esteja ocorrendo pode ser um primeiro passo para amenizar o sentimento e ainda procurar ajuda se for necessário.
Outro aspecto fundamental quando pensamos na possibilidade de psicoterapia frente a estas questões, é o de que em se falando em “erros ou acertos” para com os filhos, olhamos para a situação familiar, para os comportamentos e atitudes dos pais e criança, não para se identificar culpados, e sim para entendermos o funcionamento dessa estrutura familiar, entender porque as coisas chegaram até ali e encontrar novos caminhos que possam levar a uma melhor qualidade de vida para todos.
Ainda vale salientar que em toda e qualquer situação da vida, nós somos e fazemos aquilo podemos, no momento em que podemos. E isto não se trata de justificativa, mas de um fato.

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Quando dizer NÃO! Eis a questão...

Não é uma tarefa fácil cuidar de uma criança pequena, orientar seu crescimento. E quando dizer não aos nossos filhos é uma questão sobre a qual muitos de nós, mães e pais se debatem constantemente.
Os limites são necessários, mas como e quando colocá-los?
Sobre essa questão é bom que levemos em consideração o fator idade, desenvolvimento. Ora, uma criança de 1 ano de idade não poderia entender um NÃO assim como uma de 3 anos, por exemplo. Precisamos ficar atentos ao período de desenvolvimento em que nosso filho se encontra.
As crianças não nascem sabendo o que podem e o que não podem fazer, com certeza. Mas muitas vezes alguns pais lidam com elas como se soubessem disso desde sempre, sem que tenham sido ensinadas.
Vamos pensar esta questão, tendo em vista as crianças pequenas e seu primeiro contato com as interdições.
Então, podemos dizer que teríamos três etapas a nos concentrar na introdução dos “NÃOS” na vida dos bebês.
Primeiro, temos uma fase em que os pais assumem toda a responsabilidade sobre as interdições, ou seja, o bebê pequeno não tem instrumentos, nem possibilidades de entender o que pode lhe causar algum mal ou não. E no seu desenvolvimento rápido vem o intento de descobrir o mundo, pela boca, pelas mãos... é como se o mundo inteiro fosse uma grande novidade a ser descoberta, e ele bebê, o explorador. Não há NÃO nesta primeira etapa, só a interdição física.
Assim, nesse momento é importante que a criança tenha a possibilidade de explorar, conhecer o mundo e o que tem a sua volta, ela precisa se desenvolver, e ter também um adulto atento que possa livrá-la dos perigos iminentes. Não adiantará de nada ter uma briga homérica com uma criança de 1 ano porque ela derramou todo o saco de arroz que estava na sacola, no chão.
Você é que deveria ter tirado este saco dali, certo!? Você tem instrumentos para isso, ela não.
Ele precisa explorar o mundo, dê-lhe situações ou objetos que lhe propiciem isto. E a princípio, você não limita um bebê para que ele lide com o que é certo ou errado do ponto de vista moral, mas simplesmente porque tem algumas atitudes que ele precisa ir aos poucos entendendo que são perigosas. Para bebês pequenos os “NÃOS” maternos devem se basear na idéia de perigos concretos.
Aos poucos, você percebe na criança uma crescente capacidade de compreender as coisas. Então temos a segunda etapa, onde você já pode se impor e mostrar a criança sua visão de mundo, ela já começa a ter capacidade de absorver algumas coisas. Aí sim, começa a aparecer literalmente o NÃO como palavra, linguagem entendida. Você pode dizer “NÃOS” seguros a ela, e ela tem capacidade de entender que aquilo É uma interdição, e que ali ela precisa parar por algum motivo, ainda que não tenha um entendimento real sobre os motivos.
Segue-se, a terceira etapa que é aquela que se apresenta como a fase da explicação. Podemos, aqui partir para a conversação, os pais aqui podem explicar a criança o motivo das interdições, é ela já começa a desenvolver a capacidade de entendê-las.
Assim vai se dando o desenvolvimento desses primeiros momentos do entendimento da interdição.
Entretanto, não podemos nunca esquecer do fato de que as crianças são muito diferentes umas das outras, as fases ocorrem nessa seqüência, mas é preciso que a mãe possa observar o desenvolvimento de SEU filho, e assim estar pronta para a adaptação às necessidades de sua criança.
Muitas vezes ocorre que mães que não se encontram em momentos tranqüilos e felizes de suas vidas possam, em função do seu momento, estar propensas a exagerar o lado carinhoso do trato, sendo permissivas demais, ou ainda dizer NÃO apenas porque estão irritadas.
É muito importante que na imposição de limites, a mãe os tenha bem claros para si mesma, tanto os limites, quanto os motivos pelos quais os está impondo.
Se os próprios pais estiverem muito confusos quanto ao que permitiriam ou não, como a criança poderá ter clareza sobre isso?